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domingo, 24 de julho de 2011

Carta ao Tom - Vinícius de Moraes

(...)
Lembra que tempo feliz,
ai que saudade,

(...)
era como se o amor doesse em paz.

Mesmo a tristeza da gente era mais bela,
e além disso se via da janela
um cantinho de céu e o Redentor.

É, meu amigo, só resta uma certeza,
é preciso acabar com essa tristeza,
é preciso inventar de novo o amor.
(...)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Todo o sentimento - Chico Buarque

(...)
Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada. (...)
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.

Foto: Arriete Vilela

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pedro Pedreiro - Chico Buarque






(...)

Subiu a construção como se fosse máquina

Ergueu no patamar quatro paredes sólidas

Tijolo com tijolo num desenho mágico

Seus olhos embotados de cimento e lágrima


(...)
Subiu a construção como se fosse sólido

Ergueu no patamar quatro paredes mágicas

Tijolo com tijolo num desenho lógico

Seus olhos embotados de cimento e tráfego


(...)
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,

Deus lhe pague(...)
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,

Deus lhe pague.





Fotos: Arriete Vilela




segunda-feira, 2 de maio de 2011

De Vinicius de Moraes

Quem passou por essa vida e não viveu

Como dizia o poeta

Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sonho Impossível


"(...)

Não me importa saber

Se é terrível demais

Quantas garras terei que vencer

Por um pouco de paz

E amanhã este chão que eu beijei

For meu leito e perdão

Vou saber que valeu delirar

E morrer de paixão

E assim seja lá como for

Vai ter fim a infinita aflição

E o mundo vai ver uma flor

Brotar do impossível chão"


(Versão em português de Chico Buarque)

Foto: Yasminn Vilela

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Viagem


Ó tristeza me desculpe, estou de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia, vamos viajar
Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando desde muito longe,
Lá do fim do mar

Vamos visitar a estrela da manhã raiada
Que pensei perdida pela madrugada,
Mas que vai escondida querendo brincar
Senta nessa nuvem clara,
Minha poesia ainda se prepara
Traz uma cantiga,vamos espalhando música no ar
Olha quantas aves brancas, minha poesia
Dançam nossa valsa pelo céu que o dia
Fez todo bordado de raios de sol
Ó, poesia, me ajude, vou colher avencas,
Lírios, rosas, dálias
Pelos campos verdes que você batiza de jardins do céu

Mas pode ficar tranquila, minha poesia
Pois nós voltaremos numa estrela guia,
Num clarão de lua quando serenar
Ou talvez até quem sabe
Nós só voltaremos no cavalo baio
No alazão da noite, cujo nome é raio, raio de luar

João de Aquino e Paulo César Pinheiro
Foto de Arriete Vilela

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Mil perdões - Chico Buarque

"Te perdoo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdoo
Por pedires perdão
Por me amares demais

Te perdoo
Te perdoo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdoo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim

Te perdoo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdoo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)

Te perdoo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdoo
Te perdoo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdoo
Por te trair"

Novos Rumos - Paulinho da Viola

"Vou imprimir novos rumos
Ao barco agitado que foi minha vida
Fiz minhas velas ao mar
Disse adeus sem chorar
E estou de partida
Todos os anos vividos
São portos perdidos que eu deixo pra trás
Quero viver diferente
Que a sorte da gente
É a gente que faz

Quando a vida nos cansa
E se perde a esperança
O melhor é partir
Ir procurar outros mares
Onde outros olhares nos façam sorrir
Levo no meu coração
Esta triste lição que contigo aprendi
Tu me ensinaste em verdade
Que a felicidade está longe de ti"