Em noites assim
encantadoras
como o algodão que brota da maciez
das sementes noturnas
- ou como a palavra ainda no peito do poeta -,
danço levezas ao som dos mais doces blues
e sei que posso repousar todas as minhas infâncias
no teu colo.
Em noites assim
de passos nômades,
revisito a tua boemia
e vivo em ti as ausências reais e tristes.
Em noites assim
como esta, de desejos à flor da alma,
reparto-me em luares
e tamborilo em mesas de bar a pungente canção
da tua despedida.
Em noites assim,
digo-te adeus com suavidade,
como se o nosso adeus fosse apenas um até breve,
um até já,
um simples virar de página para o próximo
poema.
(Palavras em Travessia - In: OBRA POÉTICA REUNIDA)
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Poema 35 -- Arriete Vilela
De Moacyr Scliar (1937-2011)

"Quando um jovem me pergunta que livros deve ler, respondo: “Em primeiro lugar, aqueles que os professores indicam; eles conhecem o assunto, eles têm condições de fazer boas recomendações”. Mas nunca digo que o jovem não deve ler tal ou qual obra, tal ou qual autor. Meu aprendizado como leitor passou por livros que depois considerei tolos ou ruins. Mas isso foi útil para que eu pudesse aprender a formar o meu juízo crítico. Na leitura, a gente avança pelo método de tentativa e erro, de aproximações sucessivas. Em resumo, proibir ou censurar, não. Recomendar, debater, ensinar, sim. Vivemos num mundo cheio de imperfeições e perigos, e o que podemos fazer com nossos filhos e alunos é ensiná-los a navegar por esse mar turbulento, em navios cujas velas são as páginas da grande literatura. Ler é aventura, ler é paixão."
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Poema 6 -- Arriete Vilela
Andorinha, de Manuel Bandeira
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