
“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”Fotos: Arriete Vilela
"Quanto mais me elevo, menor pareço aos olhos de quem não sabe voar."
um vícioesse jeito de ser: poesiaum tédio
essa cidade sem
com qual máscara
o lobo se fere
nesse baile?
com qual faca
a madrugada sangra
sua pele?
um oceano,
lágrimas, maresia
só uma brisa
a roçar
nossa febre
"Eu me obriguei a me contradizer para evitar que eu me conformasse com meu gosto."

Fotos: Arriete Vilela

"... aos 15 anos eu pintava como Velázquez e precisei de 80 anos para pintar como uma criança."