segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Poema 13 - Arriete Vilela

Pedem-me notícias de mim.
Eu as dou assim:
em versos.

Há tempos não permitia que pedras
rolassem com o limo macio
das palavras.
Eu usava arpões
para não fisgar as minhas fragilidades.

Mas, porque me pedem notícias de mim,
eu as dou assim:
em versos.

Uso a máscara dos antigos bailes
e danço ao som de um clarinete
que sempre imaginei ser do avô.

(O avô - ah, os equívocos da infância! -,
o avô tocava bumbo.)

Porque me pedem notícias de mim,
confidencio afetos em palavras que os contradizem,
em excesso de murmúrios,
já que as tardes concretas silenciaram os meus antigos
(des)amores.

Pedem-me notícias de mim.
Eu as dou assim:
em versos
que me desmentem.

(Ávidas paixões, áridos amores - In: OBRA POÉTICA REUNIDA)

Enviado por Rita Mendonça

Quase trezentas visitas, em apenas uma semana e sem divulgação...
Este blog está prometendo!Também serei seguidora assídua!

Enviado por Ulisses Praxedes

Muito bom!
Um espaço para discussões e apreciações da poesia da vida!
Parabéns pela iniciativa, ganhou um leitor assíduo!
Ulisses.

De Borges

"Publicamos para não passarmos a vida a corrigir rascunhos."

Foto de Yasminn Vilela


De Octavio Paz

"Os poetas não têm biografia. Sua obra é a sua biografia."

Poema nº 11 - Arriete Vilela

Não quero mais
que o mergulho no mar,
a cara virada para o sol,
o esquecimento:

alma boiando à deriva,
como se fora tábua
despregada do casco
de algum velho barco.


(A Rede do Anjo - In: OBRA POÉTICA REUNIDA)