domingo, 27 de fevereiro de 2011

Poema 9 -- Arriete Vilela

Em noites assim
encantadoras
como o algodão que brota da maciez
das sementes noturnas
- ou como a palavra ainda no peito do poeta -,
danço levezas ao som dos mais doces blues
e sei que posso repousar todas as minhas infâncias
no teu colo.

Em noites assim
de passos nômades,
revisito a tua boemia
e vivo em ti as ausências reais e tristes.

Em noites assim
como esta, de desejos à flor da alma,
reparto-me em luares
e tamborilo em mesas de bar a pungente canção
da tua despedida.

Em noites assim,
digo-te adeus com suavidade,
como se o nosso adeus fosse apenas um até breve,
um até já,
um simples virar de página para o próximo
poema.

(Palavras em Travessia - In: OBRA POÉTICA REUNIDA)

2 comentários:

  1. Como sempre, as suas poesias têm uma sensibilidade incrível.
    Que noites assim sejam sempre.
    =)
    beijokas

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